O mundo vai acabar em dezembro. E em janeiro, fevereiro…até outubro de 2014

7 de novembro de 2013 | 11:31 Autor: Fernando Brito

Como o leitor ilustre já está avisado pela mídia, as contas públicas vão “explodir” e o governo, quebrar.

Exatamente como a inflação ia explodir e estourar o teto da meta, até alguns meses atrás.

Objetivamente, é claro, nada disso aconteceu nem acontecerá, embora inflação e equilíbrio fiscal exijam atenção permanente.

Mas uma e outra são componentes da economia e, como tal, sujeitas a flutuar no ritmo da atividade econômica.

Os jornais brasileiros e seus comentaristas ignoram, olimpicamente, que o mundo está, faz tempo, estagnado.

E o Brasil – ora mais, ora menos – crescendo.

Dizem que cresce pouco, mas gritam alucinadamente contra tudo que a cartilha manda um governo fazer para ampliar o crescimento: baixar os juros, ampliar investimentos e gastos públicos, elevar salários e proventos e reduzir tributos para as áreas de maior poder de multiplicação de ganhos na economia.

Hoje, no Estadão, o professor Luiz Gonzaga Belluzo trata com muita clareza disso, e com o equilíbrio devido:

• Como sr. analisa os últimos dados divulgados?

O superávit, que é centro da questão, vai ficar em torno de 1,8% e 2%. Nas circunstâncias atuais, é um resultado abaixo do que está fixado, mas é razoável quando se compara com períodos anteriores. Não dá para dizer que se trata de um caos fiscal. Nós tivemos o caos fiscal nos anos 80. Hoje, é uma situação perfeitamente administrável. A composição da dívida também melhorou muito nos últimos anos – o País não tem dívida dolarizada -, e o Brasil é credor líquido externo. Mesmo depois da estabilização tivemos momentos mais graves. Os desequilíbrios já foram maiores e não houve nenhum frenesi. É preciso colocar as perspectivas de forma mais serena.

• Há um excesso de pessimismo?

Existe uma avaliação um pouco alarmista a respeito. Mas estamos sempre discutindo as questões de curto prazo, e as questões relacionadas com o longo prazo são pouco debatidas. Uma das razões pelas quais estamos nessa situação é porque  a economia cresce pouco. O  Brasil, por exemplo, tem uma baixa taxa de investimento. Também estamos há 20 anos  com o câmbio valorizado. Isto foi um desastre para a indústria brasileira. Mas (o debate) fica muito lateral.

• Então, como lidar com esses desequilíbrios, incluindo a questão fiscal?

Se a economia não cresce, há uma porção de problemas. Nós estamos com um baixo desemprego, mas a indústria brasileira está andando de lado faz tempo, e ela é uma geradora de emprego, renda e riqueza. A economia está crescendo devagar, tem uma situação fiscal que não é um descontrole  como as pessoas querem mostrar, mas é abaixo daquilo que seria desejável. Aliás, a ideia da meta (para o superávit) é correta porque ela supõe ações anti-cíclicas quando necessário. Se a economia cresce zero, não é possível fazer um superávit de 5 %. É um desatino isso. Agora, é claro que não é correto um  déficit fiscal quando a economia está num crescimento rápido. Tudo é uma questão de  aplicar corretamente as regras da boa gestão fiscal. Todo mundo sabe que o comportamento  do governo em relação à política fiscal deve ser compatível com o momento do ciclo em que a economia está vivendo.

O que Belluzo não diz, mas que é obvio, é que um caos econômico passou a ser a única esperança eleitoral da oposição.

E que a mídia brasileira faz o papel de profeta deste caos.

O fato de não haver nenhum sinal dele é irrelevante. Basta que muitos acreditem.

 

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